1. Início
  2. Direito criminal
  3. Emergência
  4. Intimação para depor

Fui intimado a depor na delegacia: preciso de advogado?

Dr. Ricardo Rocha

Antes de ir, descubra em que condição você foi chamado. Testemunha tem dever de comparecer e de dizer a verdade, mas nunca de se incriminar. Investigado tem direito ao silêncio e a ser assistido por advogado, e não pode ser conduzido à força para interrogatório. A lei não obriga ninguém a ir com advogado, mas nos dois casos vale ir acompanhado.

Plantão 24 horas · atendimento imediato

Primeiro: em que condição você foi chamado

A intimação raramente diz com clareza. Pode ser para "prestar esclarecimentos", "depor" ou "ser ouvido". A diferença entre testemunha e investigado é a diferença entre um dever e um direito:

TestemunhaInvestigado (indiciado ou suspeito)
ComparecerObrigatório; a faltosa pode ser conduzida (art. 218)Recomendado, mas não pode ser conduzido à força para interrogatório (STF, ADPFs 395 e 444)
ResponderDever de dizer a verdade (falso testemunho é crime); pode recusar o que a incrimineDireito ao silêncio total ou parcial, sem prejuízo (CF, art. 5º, LXIII; CPP, art. 186)
AdvogadoPode ir acompanhadaDireito de assistência, sob pena de nulidade do ato (Estatuto da Advocacia, art. 7º, XXI)
Parentes do investigadoPodem recusar-se a depor (art. 206)Não se aplica

O advogado consegue essa informação antes do dia: consulta o procedimento, fala com a delegacia e tem acesso ao que já está documentado nos autos (Súmula Vinculante 14 do STF). Ir sem saber em que condição se está é ir às cegas.

2condições possíveis (testemunha ou investigado), com direitos bem diferentes
0perguntas que o investigado é obrigado a responder (CF, art. 5º, LXIII)
1pedido basta: se o investigado quer ser assistido, o interrogatório não segue sem o advogado (Lei 13.869/2019, art. 15, parágrafo único, II)
30 diasprazo legal do inquérito com investigado solto, prorrogável (CPP, art. 10)

Quanto tempo dura um depoimento na delegacia?

Não existe tempo fixo na lei. O depoimento de uma testemunha sobre um fato simples pode ser curto; o de um investigado, com muitas perguntas e documentos, leva bem mais. Conte também a espera e a leitura do termo antes de assinar, que nunca deve ser feita com pressa. O investigado não é obrigado a continuar: se disser que vai ficar em silêncio, ou que quer esperar o advogado, o interrogatório não pode prosseguir (Lei 13.869/2019, art. 15, parágrafo único).

Testemunha é obrigada a depor?

Em regra, sim. A testemunha intimada tem o dever de comparecer, de depor e de dizer a verdade (CPP, arts. 203 e 206). Faltar sem motivo justificado pode levar à condução, a multa e a processo por desobediência (arts. 218 e 219), e mentir em inquérito é falso testemunho (Código Penal, art. 342).

O que diz a lei

«A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias.»

Código de Processo Penal, art. 206

Esses parentes, se aceitarem depor, não prestam o compromisso de dizer a verdade (art. 208). E nenhuma testemunha precisa responder o que a incrimine: se as perguntas começam a apontar para você, peça que isso conste no termo e chame o advogado.

Preciso de advogado para depor na delegacia?

A lei não obriga ninguém a ir com advogado, mas garante o direito de ir:

  • Investigado. Impedir o advogado de assistir o depoimento anula o ato e o que dele derivar (Estatuto da Advocacia, art. 7º, XXI), e, se você pedir assistência, o interrogatório não continua sem ele (Lei 13.869/2019, art. 15, parágrafo único, II). Quem vai sozinho por escolha própria, porém, raramente consegue anular depois o que disse.
  • Testemunha. Pode ir acompanhada: o advogado orienta antes, acompanha o ato e confere o termo.
  • Quem não sabe em que condição foi chamado. É quando o advogado mais ajuda, porque a testemunha de hoje pode ser o investigado de amanhã.

Os direitos de quem é investigado

O que diz a lei

«O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado.»

«São direitos do advogado: [...] assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos.»

Constituição Federal, art. 5º, LXIII; Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia), art. 7º, XXI

O silêncio não é confissão e não pode ser interpretado em prejuízo da defesa (CPP, art. 186, parágrafo único). O investigado pode escolher responder só a parte das perguntas, ou apenas se identificar. A decisão sobre falar ou não é técnica: depende do que já está nos autos, do que a polícia sabe e do que a versão do investigado acrescenta ou compromete.

E o Supremo proibiu a condução coercitiva do investigado para interrogatório (ADPFs 395 e 444). Isso não torna boa ideia ignorar a intimação: comparecer é escolha, feita com o advogado.

Como se preparar

  1. Guarde a intimação

    Data, hora, delegacia, número do procedimento e o nome de quem intimou. É o ponto de partida do advogado.

  2. Não ligue para "adiantar"

    Conversas informais com investigadores, por telefone ou WhatsApp, viram anotações nos autos. Toda comunicação passa pelo advogado.

  3. Reunião prévia com o advogado

    O advogado acessa o que puder do procedimento, define a condição em que você está e a estratégia: silêncio, depoimento completo ou parcial, documentos a apresentar.

  4. No dia, acompanhado

    O advogado acompanha o ato, intervém em perguntas indevidas, apresenta quesitos e confere o termo antes da assinatura. O que não está escrito como foi dito não se assina.

  5. Depois do depoimento

    Requerer diligências que interessem à defesa (art. 14), apresentar documentos e acompanhar o rumo do inquérito. Veja como funciona o inquérito.

O que não fazer

  • Não falte sem justificativa se você é testemunha: pode ser conduzido e responder por desobediência.
  • Não vá sozinho "porque não tem nada a esconder". A maioria dos problemas começa com um depoimento espontâneo mal registrado.
  • Não minta. Testemunha responde por falso testemunho (Código Penal, art. 342); investigado tem direito ao silêncio, mas não a acusar falsamente terceiros (art. 339).
  • Não apague mensagens, não troque de celular às pressas, não combine versões com outras pessoas.
  • Não leve documentos ou aparelhos além do necessário. O que você leva pode ser apreendido.

Perguntas frequentes

Sou obrigado a comparecer à delegacia?

Testemunha sim: a faltosa pode ser conduzida (CPP, art. 218). Investigado não pode ser conduzido à força para interrogatório (STF, ADPFs 395 e 444), mas o não comparecimento não faz a investigação parar, e perde-se a chance de apresentar a versão da defesa com controle. O caminho seguro é comparecer com advogado.

Testemunha é obrigada a depor?

Em regra, sim: tem o dever de comparecer, depor e dizer a verdade (CPP, arts. 203 e 206). Mas ninguém é obrigado a responder o que o incrimine, e parentes próximos do investigado (ascendentes, descendentes, cônjuge, irmãos) podem recusar-se a depor, salvo quando não houver outro meio de prova (art. 206).

Preciso de advogado para depor na delegacia?

A lei não obriga, mas garante o direito. Para o investigado, impedir o advogado de assistir torna o depoimento nulo (Estatuto da Advocacia, art. 7º, XXI), e o interrogatório não segue sem ele se você pedir a assistência (Lei 13.869/2019, art. 15, parágrafo único, II).

Quanto tempo dura um depoimento na delegacia?

Não há tempo fixo: depende da condição de quem depõe, das perguntas, dos documentos e da espera. O investigado pode parar de responder a qualquer momento, exercendo o direito ao silêncio.

O depoimento na delegacia vira processo?

O depoimento é uma peça do inquérito. Só há processo se o Ministério Público oferecer denúncia e o juiz a receber. O que é dito na delegacia, porém, acompanha o inquérito até lá e é lido pelo promotor e pelo juiz. Veja o que acontece quando a denúncia é recebida.

Conteúdo informativo, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB. Não substitui a análise do caso concreto por advogado. A lei citada é a vigente na data da publicação; a redação dos artigos pode ser conferida no site do Planalto.

Dr. Ricardo Rocha

OAB/SP 492.350

Dr. Ricardo Rocha

Advogado criminalista em Ribeirão Preto, formado pelo Centro Universitário Moura Lacerda, com especialização em Tráfico de Drogas e Execução Penal. Vice-Presidente da Comissão de Direito Criminal e Política Criminal da OAB/SP em Ribeirão Preto. Atua em plantão 24 horas em Ribeirão Preto e nas comarcas da região.

Conheça o Dr. Ricardo → · Atuação em direito criminal →

Fale com o escritório

Precisa de um advogado criminalista agora?

O primeiro contato é sigiloso e sem compromisso. Descreva o que aconteceu e o Dr. Ricardo orienta os próximos passos. O atendimento é 24 horas por dia, em Ribeirão Preto, na região e em todo o estado de São Paulo.

Plantão 24 horas · resposta pelo WhatsApp