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Prisão temporária: 5 dias, 30 dias e o que a defesa faz

Dr. Ricardo Rocha

A prisão temporária só existe durante a investigação, antes do processo, e apenas para os crimes listados na Lei 7.960/1989. Dura 5 dias, prorrogáveis por mais 5; em crimes hediondos, 30 dias prorrogáveis por 30. Vencido o prazo do mandado, a pessoa deve ser solta imediatamente, sem precisar de nova ordem, salvo se houver prorrogação ou preventiva.

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O que é a prisão temporária

É uma prisão de investigação. Só pode ser decretada por juiz, a pedido do Ministério Público ou por representação do delegado, nunca de ofício, e nunca depois de oferecida a denúncia. A lei lista os crimes em que ela cabe: homicídio doloso, sequestro, roubo, extorsão, extorsão mediante sequestro, estupro, tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro, genocídio, associação criminosa, terrorismo, entre outros.

O que diz a lei

«Caberá prisão temporária: I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: [...]»

Lei 7.960/1989, art. 1º

O Supremo Tribunal Federal, ao julgar as ADIs 3.360 e 4.109, fixou que esses incisos não são alternativas soltas: a prisão temporária exige que ela seja imprescindível para a investigação, com fundadas razões de autoria em um dos crimes da lista, demonstradas por fatos concretos, e não pode ser usada como forma de antecipar pena ou de obter confissão.

5 diasprazo da prisão temporária, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade (Lei 7.960, art. 2º)
30 diasem crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo, também prorrogáveis uma vez (Lei 8.072, art. 2º, §4º)
24hpara o juiz decidir o pedido, em decisão fundamentada (Lei 7.960, art. 2º, §2º)
24hpara a audiência de custódia após o cumprimento do mandado (CPP, arts. 3º-B, §1º, e 287)

Prazo e o dia da soltura

O mandado de prisão temporária deve trazer, obrigatoriamente, o período de duração e o dia em que o preso deverá ser libertado (Lei 7.960, art. 2º, §4º-A). Vencido esse prazo, a autoridade responsável pela custódia tem de soltar a pessoa imediatamente, sem precisar de nova ordem do juiz, a menos que tenha sido comunicada da prorrogação ou da decretação de preventiva (art. 2º, §7º). Manter alguém preso além disso é constrangimento ilegal.

Crimes comuns da listaHediondos, tortura, tráfico e terrorismo
Prazo inicial5 dias30 dias
Prorrogaçãomais 5 dias, uma vezmais 30 dias, uma vez
Condição para prorrogarextrema e comprovada necessidadeextrema e comprovada necessidade
Quem pedeMP ou delegado (juiz ouve o MP)MP ou delegado (juiz ouve o MP)

Cumprido o mandado, o preso tem direito à audiência de custódia em 24 horas, como qualquer prisão por mandado (CPP, arts. 3º-B, §1º, e 287). Veja como ela funciona.

O que a defesa faz

  1. Habeas corpus contra a decretação

    Crime fora da lista, falta de fundamentos concretos, ausência de imprescindibilidade, decisão genérica: cada um desses vícios sustenta o pedido de liminar no Tribunal de Justiça. Quando cabe o habeas corpus.

  2. Acompanhar cada depoimento

    O preso temporário é investigado: tem direito ao silêncio e à presença do advogado em qualquer ato (Estatuto da Advocacia, art. 7º, XXI). A prisão não obriga ninguém a colaborar.

  3. Acesso aos autos

    A defesa tem direito de ver o que já está documentado na investigação (Súmula Vinculante 14 do STF). É assim que se descobre se há algo que de fato sustente a prisão.

  4. Controlar o dia da soltura

    Confirmar a data no mandado, avisar a unidade prisional e cobrar a liberação imediata no vencimento. Resistir à prorrogação, que exige "extrema e comprovada necessidade".

  5. Preparar o dia seguinte

    É comum que, ao fim da temporária, o Ministério Público peça a preventiva. A defesa chega com os argumentos e documentos prontos. Entenda a prisão preventiva.

O que a família pode fazer

  • Informar ao advogado onde a pessoa está e, se possível, obter a cópia do mandado: nele está a data da soltura.
  • Reunir documentos de residência, trabalho e família: servem para a custódia e para o eventual pedido de preventiva ao fim do prazo.
  • Manter o contato do advogado disponível para a unidade prisional.

O que não fazer

  • Não fale sobre os fatos com investigadores, nem "para ajudar". Qualquer informação pode virar elemento contra o preso.
  • Não pressione o preso a colaborar sem o advogado presente. Colaboração é decisão técnica, não emocional.
  • Não destrua, esconda ou altere documentos e aparelhos. Além de crime, é usado como fundamento para prorrogar ou converter a prisão.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre prisão temporária e preventiva?

A temporária é só de investigação, tem prazo fixo e vale para uma lista fechada de crimes. A preventiva cabe na investigação ou no processo, não tem prazo fixo e exige os requisitos do art. 312 do CPP. Veja a comparação completa.

Quem pode pedir a prisão temporária?

O Ministério Público, por requerimento, ou o delegado, por representação; neste caso, o juiz ouve o MP antes de decidir. O juiz não pode decretá-la de ofício, e tem 24 horas para decidir de forma fundamentada.

A prisão temporária pode virar preventiva?

Pode, se ao fim do prazo houver pedido e o juiz reconhecer os requisitos do art. 312. Por isso a defesa não espera o prazo acabar: chega ao último dia com os argumentos contra a preventiva prontos.

O preso temporário é obrigado a depor?

Não. Ele é investigado e tem direito constitucional ao silêncio, sem que isso possa ser usado contra ele. O advogado tem o direito de assistir a qualquer depoimento dele, e impedir essa assistência torna o ato nulo (Estatuto da Advocacia, art. 7º, XXI).

Conteúdo informativo, nos termos do Provimento 205/2021 da OAB. Não substitui a análise do caso concreto por advogado. A lei citada é a vigente na data da publicação; a redação dos artigos pode ser conferida no site do Planalto.

Dr. Ricardo Rocha

OAB/SP 492.350

Dr. Ricardo Rocha

Advogado criminalista em Ribeirão Preto, formado pelo Centro Universitário Moura Lacerda, com especialização em Tráfico de Drogas e Execução Penal. Vice-Presidente da Comissão de Direito Criminal e Política Criminal da OAB/SP em Ribeirão Preto. Atua em plantão 24 horas em Ribeirão Preto e nas comarcas da região.

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